

Almas Mortas, última obra de Gogol, é, por assim dizer, um começo: o começo do realismo, um realismo que se nega antecipadamente aos vícios românticos de Zola e da sua escola e só no nosso século, com Thomas Mann, atingirá a sua mais nobre expressão. É a epopeia do prosaico, a crua caricatura do real, a vida sem artifícios, ou antes, toda a nudez dos artifícios da vida. Alguns dos seus soberbos retratos, paradigmas literários das pinturas de Brueghel, o sentimental Manilov, o astuto Sobakevich, o tremendo embusteiro Nozdriov, o avarento Pliuskine, possuem tal verdade, estão dados com tão profunda penetração psicológica, que o povo, infalível julgador, os transformou em símbolos, passando a utilizá-los na linguagem corrente.
Tradução, prefácio e notas de José António Machado.
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